{"id":211,"date":"2025-02-10T11:25:01","date_gmt":"2025-02-10T14:25:01","guid":{"rendered":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=211"},"modified":"2025-02-10T11:26:24","modified_gmt":"2025-02-10T14:26:24","slug":"abadon-no-lado-b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=211","title":{"rendered":"Abadon no Lado B, ou Black metal como categoria atmosf\u00e9rica"},"content":{"rendered":"\n<p>Tava com saudade de escrever sobre um show, n\u00e9 minha filha?<\/p>\n\n\n\n<p>Pois ontem, domingo, cheguei cedo no Lado B depois de assistir Ainda Estou Aqui no cinema. O filme me deixou muito impactada e cheguei no bar ainda com a cabe\u00e7a a\u00e9rea, processando as informa\u00e7\u00f5es de um filme t\u00e3o carregado de tens\u00e3o e tristeza. A atmosfera deixada pelo filme come\u00e7ou a se dissipar quando meu amigo, parceiro de shows de sempre, chegou e come\u00e7amos a conversar sobre filmes e, como sempre, sobre m\u00fasica. <\/p>\n\n\n\n<p>O Lado B estava bem movimentado, porque a noite de calor estava convidativa para uma cerveja na cal\u00e7ada. Aqui em Curitiba tem-se o h\u00e1bito de beber em p\u00e9 na frente dos bares, porque s\u00e3o poucos os estabelecimentos que t\u00eam espa\u00e7o e licen\u00e7a para colocar cadeiras na parte externa. N\u00e3o lembro de ter visto isso noutras cidades, e quando morei em Campinas para fazer mestrado senti muita falta da j\u00e1 tradicional cervejinha na sarjeta curitibana. O p\u00fablico era predominantemente masculino, com cerca 15% de mulheres, apenas. A faixa et\u00e1ria gravitava em torno de 30-45 anos. <\/p>\n\n\n\n<p>Aos domingos, o Lado B costuma trazer bandas autorais dos mais diversos estilos do underground. Tem bluegrass, punk, psychobilly, metal&#8230; Tudo com entrada gratuita para o p\u00fablico. Nesse domingo a banda convidada foi o Abadon, banda de black metal cuja forma\u00e7\u00e3o atual conta com bateria, guitarra e vocal. A sa\u00edda do baixista \u00e9 recente, mas a banda est\u00e1 se virando bem com essa forma\u00e7\u00e3o em trio. O show visava promover o mais recente lan\u00e7amento da banda, o EP P\u00e1ginas da Mentira. <\/p>\n\n\n\n<p>O Abadon leva o conceito tradicional de black metal bastante a s\u00e9rio, e os pr\u00f3prios membros da banda sinalizam que 50% de sua performance \u00e9 pautada pelo visual. Inclusive, na primeira postagem que fiz nesse blog comentei sobre o impacto causado pela cenografia orquestrada pela banda, que, nessa \u00faltima itera\u00e7\u00e3o, montou em frente ao palco uma esp\u00e9cie de altar negro decorado com candelabros, velas pretas e cr\u00e2nios de animais. Parte da performance inclui o rasgar e a queima de p\u00e1ginas da b\u00edblia. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho o equipamento de som do Lado B bem calibrado, mas normalmente meio estourad\u00e3o, um pouco alto demais. Mas ontem no show do Abadon estava muito bom mesmo! A banda, motivada por tocar entre amigos no bar que \u00e9 o lar do underground na cidade, fez uma apresenta\u00e7\u00e3o excelente, com sonoridade pesada, r\u00e1pida e brutal. Eu pirei no \u00faltimo riff da faixa t\u00edtulo, Abadon, que a banda tocou seguida por um cover de Embassy of Satan, da, tamb\u00e9m curitibana, banda Murder Rape. A faixa lan\u00e7amento, P\u00e1ginas da Mentira, veio como ponto alto do show, junto com Satan My Master (cl\u00e1\u00e1\u00e1ssica do Bathory) e um <em>Outro<\/em> instrumental muito bonito que eles sempre tocam para encerrar suas performances. <\/p>\n\n\n\n<p>Pra ser honesta, curti infinitamente mais esse \u00faltimo show em rela\u00e7\u00e3o ao anterior que tinha assistido no 92 Graus. Acho que essa impress\u00e3o tem a ver com o equipamento de som de l\u00e1, que j\u00e1 \u00e9 conhecido por n\u00e3o ser muito bem ajustado. Quanto \u00e0 performance visual da banda, acho interessante de um ponto de vista antropol\u00f3gico. \u00c9 uma encena\u00e7\u00e3o que visa ridicularizar os ritos religiosos, mas que, ironicamente, se converte ela mesma em rito pr\u00f3prio, n\u00e3o s\u00f3 da banda, mas do pr\u00f3prio g\u00eanero musical e est\u00e9tico que \u00e9 o Black Metal. <\/p>\n\n\n\n<p>Mais que outras vertentes do metal extremo, o black metal \u00e9 fortemente pautado pela performance visual. Por isso considero esse g\u00eanero em especial como uma experi\u00eancia musical e est\u00e9tica que cria suas pr\u00f3prias categorias atmosf\u00e9ricas por meio da subvers\u00e3o de ritos socialmente institucionalizados, especialmente no que toca \u00e0 cr\u00edtica anticlerical. <\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta que eu me fa\u00e7o \u00e9: os ritos anticlericais do black metal ainda s\u00e3o capazes de chocar? Se sim, a quem eles devem chocar? Eu, particularmente, considero a performance visual e a constru\u00e7\u00e3o de categorias atmosf\u00e9ricas por meio da experi\u00eancia musical e est\u00e9tica o grande charme do black metal. Acho que em igual medida essa experi\u00eancia choca e diverte. \u00c9 como brincar com fogo, algo que, no caso do Abadon, acaba sendo literal. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Abadon no Lado B\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z5lZBgKPLJA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tava com saudade de escrever sobre um show, n\u00e9 minha filha? Pois ontem, domingo, cheguei cedo no Lado B depois de assistir Ainda Estou Aqui no cinema. 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