{"id":359,"date":"2025-08-05T18:44:03","date_gmt":"2025-08-05T21:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=359"},"modified":"2025-08-14T21:58:37","modified_gmt":"2025-08-15T00:58:37","slug":"aproximacoes-afastamentos-e-seis-bandas-no-basement-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=359","title":{"rendered":"Aproxima\u00e7\u00f5es, afastamentos e seis bandas de death metal"},"content":{"rendered":"\n<p>Eis-me aqui outra vez, ap\u00f3s um longo e confuso hiato. Tem sido dif\u00edcil encontrar tempo para exercitar minha observa\u00e7\u00e3o participante nos ~rol\u00eas de metal~, inclusive os dois \u00faltimos shows que eu havia visto acabaram n\u00e3o sendo relatados porque perdi o timing. De qualquer forma, quero agradecer \u00e0 querida Elaine, que me fez sair na marra para ver o show excelente que o Pentagram fez no Basement Cultural, e \u00e0 Acesso Music, pelo credenciamento e por liberar o sorteio de um par de ingressos para o show do Ancient, que aconteceu no mesmo local. Ancient foi uma banda que me surpreendeu porque nunca dei muito por eles ouvindo online, mas ao vivo foi super legal. O pessoal torce o nariz por causa da hist\u00f3ria do guitarrista ter virado crist\u00e3o &#8211; <em>enfim, a hipocrisia<\/em> &#8211; mas achei que o B.O. pessoal do cara n\u00e3o interferiu no som ou na est\u00e9tica da banda. Se muito, serve de fofoca: algo que a cena do metal finge n\u00e3o tolerar, mas n\u00e3o \u00e9 segredo que adora um babado. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso tudo aconteceu nos long\u00ednquos meses de mar\u00e7o e abril, ap\u00f3s os quais entrei num ritmo de trabalho completamente insalubre. A minha sorte foi que durante esse per\u00edodo aconteceram poucos shows: sei que perdi Vazio \/ Ethel Hunter \/ Orthostat no Belvedere, e  Culpado + outras bandas no 92 graus porque ambos coincidiram com um per\u00edodo de viagem de campo.  O ritmo come\u00e7ou a diminuir na primeira semana de julho, mas eu estava t\u00e3o exausta que simplesmente esqueci do show da Crypta. Inicialmente marcado para 3 de julho (meu anivers\u00e1rio :D), o show aconteceu na sexta-feira dia 04\/07 no lugar onde era <s>um muquifo<\/s> o CWB Hall, que hoje atende por Stage Garden ou algo assim. Ainda quero ir l\u00e1 pra ver se o equipamento de som est\u00e1 melhor que aquela trag\u00e9dia do show do Dark Funeral kkkkk<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m foi, ent\u00e3o, no finalzinho de julho que finalmente consegui aparecer no rol\u00ea. E n\u00e3o foi qualquer rol\u00ea! O Basement Cultural abriu as portas para nada menos que seis bandas (!!!) que representam o melhor do que o death metal brasileiro tem produzido atualmente: <strong>Demophobia<\/strong>, metal punk de S\u00e3o Paulo; <strong>DarkTower<\/strong>, death\/black metal do Rio de Janeiro; <strong>Ereboros<\/strong>, blackened death metal tamb\u00e9m do Rio; <strong>Vulture<\/strong>, deathz\u00e3o de SP; e, representando a regi\u00e3o sul, as bandas de death metal <strong>Orthostat<\/strong>, de Jaragu\u00e1 do Sul-SC, e <strong>C\u00fclpado<\/strong>, orgulhinho nosso, aqui de Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>As bandas que eu mais queria ver eram, claro, as que eu n\u00e3o ainda conhecia, mas s\u00f3 consegui chegar no Basement quando DarkTower j\u00e1 estava finalizando seu set. Fiquei chateada porque queria muito ter visto eles e o Demophobia, que s\u00e3o bandas que t\u00eam propostas muito diferentes entre si. O Demophobia, por sua rela\u00e7\u00e3o com o punk, tem uma veia pol\u00edtica refor\u00e7ada pela escolha por cantar em portugu\u00eas, j\u00e1 o DarkTower trata de rela\u00e7\u00f5es de poder mediadas pela viol\u00eancia sob o prisma de uma realidade imaginada, como um filtro sobreposto \u00e0 realidade. Pena que s\u00f3 fiquei conhecendo a banda de ouvir pelo Spotify mesmo kkkkkkrying<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o importante foi ter chegado a tempo de ver o Ereboros, de quem sou suspeita para falar porque a banda \u00e9 meu xodozinho. Essa \u00e9 a terceira vez que eles v\u00eam a Curitiba e \u00e9 a terceira vez que os vejo ao vivo ap\u00f3s t\u00ea-los descoberto por acaso no Lado B. Ap\u00f3s uma turn\u00ea no M\u00e9xico e com nova forma\u00e7\u00e3o, o Ereboros deve lan\u00e7ar em breve seu novo \u00e1lbum, que ainda n\u00e3o descobri o t\u00edtulo. Pelo que pude acompanhar pelos stories da banda a grava\u00e7\u00e3o parece estar bem adiantada e um videoclipe j\u00e1 em p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o lembro se cheguei a filmar inteira a execu\u00e7\u00e3o da m\u00fasica deles que mais gosto, Path of Solomon&#8230; na verdade n\u00e3o cheguei a checar nenhum dos v\u00eddeos que fiz naquela noite, fui deixando para depois e acabei perdendo o timing (hist\u00f3ria da minha vida).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a apresenta\u00e7\u00e3o fiquei reparando como o p\u00fablico daqui \u00e9 t\u00edmido: perto do palco s\u00f3 est\u00e1vamos eu e um rapaz que tamb\u00e9m estava fazendo fotos e v\u00eddeos, o resto do p\u00fablico estava bem recuado, a uma dist\u00e2ncia de uns 2m do palco. \u00c9 como se as pessoas tivessem se escondendo do halo da ilumina\u00e7\u00e3o do palco, sabe? Estava todo mundo concentrado no espa\u00e7o onde a luz se dissipa. Acredito que esse distanciamento se constitua numa representa\u00e7\u00e3o material do distanciamento simb\u00f3lico do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 banda. N\u00e3o s\u00f3 pela falta de familiaridade em rela\u00e7\u00e3o aos caras que estavam no palco, mas porque o pr\u00f3prio p\u00fablico aqui em Curitiba carrega consigo uma complexa dialogia de timidez e de bairrismo:  reitero &#8211; e vou morrer proclamando! &#8211; minha indigna\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico em um evento, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, que simplesmente esvaziou o lugar quando uma banda que n\u00e3o era &#8220;da galera&#8221; subiu ao palco. Definitivamente n\u00e3o era esse o caso em rela\u00e7\u00e3o ao Ereboros, mas aquela situa\u00e7\u00e3o-limite foi fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros anal\u00edticos que t\u00eam me servido como guia na observa\u00e7\u00e3o de como s\u00e3o negociados os comportamentos coletivos sob os crit\u00e9rios relacionais entre p\u00fablico e banda e vice-versa. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse distanciamento do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao palco foi diminuindo com o passar da noite. O \u00e1lcool sempre alivia as dores da estranheza social, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Quando a banda seguinte subiu ao palco percebi que o pessoal estava mais \u00e0 vontade, e mesmo aqueles que pareceram rejeitar o aspecto &#8220;blackened&#8221; do show anterior se sentiram em casa com o death metal tradicional e competente do Vulture. A banda foi formada em 1995 e o som deles reflete muito as influ\u00eancias da \u00e9poca, em especial Death (\u00f3bvio!) e alguma coisa de Entombed ou Dismember, eu n\u00e3o saberia bem apontar. Death metal cl\u00e1ssico n\u00e3o costuma ser um dos meus g\u00eaneros de maior prefer\u00eancia, mas acredito que o som do Vulture conversaria bem com um formato tipo LP. Som bacana para ouvir em boa companhia, tomando cerveja e comendo amendoim hahaha<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3517-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-375\" style=\"width:514px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3517-768x1024.jpg 768w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3517-225x300.jpg 225w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3517-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3517-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3517-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Orthostat no palco do <strong>Basement Cultural<\/strong>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Meu gosto para death metal \u00e9 um pouquinho diferente, num estilo mais a ver com fone de ouvido e treinar feito um trator, sabe como? E essa \u00e9 exatamente a vibe que me traz o Orthostat. Achei que a banda era recente porque os meninos t\u00eam cara de novinhos, mas a banda j\u00e1 tem dez anos, e, de uns tempos para c\u00e1, tenho visto eles ralarem bastante; est\u00e3o sempre em turn\u00ea, e, para sorte de quem mora em Curitiba, sempre acabam passando por aqui. Com o EP Alchemical Veritas rec\u00e9m lan\u00e7ado, ainda esse ano eles devem desembarcar pela primeira vez no palco do festival Setembro Negro, em S\u00e3o Paulo. Na altura do show deles eu j\u00e1 estava um pouco cansada (perdi o costume, n\u00e9) e preferi n\u00e3o ficar muito perto do palco, por isso filmei alguns trechos mais do meio da pista. Gosto do Orthostat porque eles sempre entregam, at\u00e9 hoje n\u00e3o vi uma performance fraca da parte deles. <\/p>\n\n\n\n<p>Quem fechou a noite foi a prata da casa, o C\u00fclpado. Como comentei anteriormente, eles tocaram em junho no 92 graus com algumas outras bandas que n\u00e3o cheguei a ver quais eram. Sempre acho dif\u00edcil apresentar e\/ou reapresentar as bandas daqui nesse di\u00e1rio porque, se, por um lado, n\u00e3o quero ser repetitiva, por outro, a familiaridade com a banda pode acabar fazendo com que determinadas informa\u00e7\u00f5es sejam tomadas como sendo de conhecimento comum e o texto acabe ficando capenga. No entanto, sempre cabe reiterar que o C\u00fclpado tem um som que mescla death e thrash metal para contar os &#8220;causos&#8221; de crimes que ficaram famosos na m\u00eddia brasileira. A m\u00fasica favorita de todo mundo (todo mundo, no caso, sou eu) \u00e9 Picadinho, mas depois do show at\u00e9 parei pra ler um pouco sobre o caso dos Canibais de Garanhuns, j\u00e1 que recentemente um dos condenados virou pastor e apareceu pregando dentro do pres\u00eddio. N\u00e3o tem nem como comentar um neg\u00f3cio dessas, puta merda.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A escolha de fechar a noite com C\u00fclpado foi bacana porque o show terminou com mais energia que cansa\u00e7o, ainda que fizesse um frio de doer e todo mundo tenha sa\u00eddo correndo para se aquecer em casa. Tamb\u00e9m evitei me demorar para n\u00e3o arriscar ficar esperando uber sozinha de madrugada. Essa sempre acaba sendo a parte mais chata, porque quase sempre os rol\u00eas esvaziam e fecham super r\u00e1pido e, dependendo do hor\u00e1rio, pode ser bem demorado encontrar corrida. Embora provoque uma sensa\u00e7\u00e3o agridoce, sair sozinha tamb\u00e9m tem sido importante para dimensionar minha experi\u00eancia como mulher negra no rol\u00ea de metal, porque assim percebo com maior intensidade quest\u00f5es como inseguran\u00e7a, ass\u00e9dio, e certas viol\u00eancias simb\u00f3licas das quais eu muito provavelmente n\u00e3o seria v\u00edtima se acompanhada, especialmente se por um homem. De modo geral, o que me assusta n\u00e3o \u00e9 estar sozinha, mas <em><span style=\"text-decoration: underline;\">a precariedade da ex\/posi\u00e7\u00e3o da mulher nos espa\u00e7os p\u00fablicos do underground<\/span><\/em>. Tamb\u00e9m tem me chamado a aten\u00e7\u00e3o o qu\u00e3o pronunciada \u00e9 a falta de solidariedade por parte de outros frequentadores dos eventos, algo que coloca o momento da sa\u00edda como ponto de tens\u00e3o agravada a partir do qual tenho repensado o ato de &#8220;sair para o rol\u00ea&#8221; como pr\u00e1tica estruturada que no caso desse estudo se equipara ao trabalho de campo. Continuemos pensando a respeito&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EDITADO:<\/strong> <em>Demorou uma semana o intervalo entre o evento e a escrita desse texto, e esse per\u00edodo foi suficiente para embaralhar minha lembran\u00e7a sobre a ordem do line-up. Me informaram pelo Instagram que, na verdade, quem tocou ap\u00f3s o Vulture foi o C\u00fclpado, e quem encerrou a noite foi o Orthostat. Pe\u00e7o desculpas pela confus\u00e3o!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis-me aqui outra vez, ap\u00f3s um longo e confuso hiato. Tem sido dif\u00edcil encontrar tempo para exercitar minha observa\u00e7\u00e3o participante nos ~rol\u00eas de metal~, inclusive os dois \u00faltimos shows que eu havia visto acabaram n\u00e3o sendo relatados porque perdi o timing. 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