{"id":449,"date":"2025-08-28T21:48:15","date_gmt":"2025-08-29T00:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=449"},"modified":"2025-09-28T15:25:58","modified_gmt":"2025-09-28T18:25:58","slug":"uada-cradle-of-filth-e-mulheres-no-role-de-metal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=449","title":{"rendered":"UADA, Cradle of Filth e mulheres no rol\u00ea de metal"},"content":{"rendered":"\n<p>Cradle of Filth e Uada tocaram aqui em Curitiba na sexta-feira, 22 de agosto. Engra\u00e7ado que Cradle n\u00e3o \u00e9 muito meu estilo, mas eu estava super animad\u00edssima para v\u00ea-los ao vivo porque adoro a teatralidade que a banda leva para o palco. Eu tamb\u00e9m queria muito ver o Uada porque, mesmo tendo ouvido pouco essa banda, a expressividade do black metal que eles criam me cativa bastante. \u00c9 uma banda que soa diferente do que a gente conhece de black metal dos Estados Unidos, sei l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo lugar na internet se diz que o nome Uada quer dizer &#8220;assombrado&#8221; em latim. Eu n\u00e3o falo latim, mas conhe\u00e7o o suficiente de Hist\u00f3ria para desconfiar de toda e qualquer tradu\u00e7\u00e3o, especialmente daquelas que a gente n\u00e3o consegue estabelecer base comparativa a partir de fontes hist\u00f3ricas. A bem da verdade, acho que o nome Uada soa rid\u00edculo e nenhum significado traduzido me convence do contr\u00e1rio kkkk<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, diferente do nome besta, a experi\u00eancia est\u00e9tica associada \u00e0 banda \u00e9 incr\u00edvel. Primeiro, porque o som tem uma qualidade atmosf\u00e9rica envolvente; a meu ver, \u00e9 como se criasse uma paisagem sensorial que envolve a percep\u00e7\u00e3o f\u00edsica do som. Acho que a banda enfatiza essa atmosfera intencionalmente ao ocultar a identidade e a apar\u00eancia de seus integrantes, que sobem ao palco vestindo largos capuzes cobrindo seus rostos. E segundo porque a cenografia do show \u00e9 incrivelmente simples e super incomum: Todos os fresn\u00e9is da parte de cima do palco ficam desligados, assim a ilumina\u00e7\u00e3o se concentra apenas no n\u00edvel do ch\u00e3o.  Al\u00e9m disso, s\u00e3o usadas apenas luzes brancas intensas, mas provavelmente com algum tipo de filtro difusor. E, para completar, muito gelo seco! O efeito \u00e9 o recorte das silhuetas dos m\u00fasicos contra a luz, que se espalha pelo ambiente refletida na fuma\u00e7a. \u00c9 simples e genial.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3726-edited-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-452\" style=\"width:420px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3726-edited-scaled.jpeg 1920w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3726-edited-225x300.jpeg 225w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3726-edited-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3726-edited-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/curitibametal.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_3726-edited-1536x2048.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Olha, j\u00e1 vi muito show come\u00e7ar atrasado, mas juro que foi a primeira vez que vi um show come\u00e7ar adiantado. Na divulga\u00e7\u00e3o feita nas redes sociais da produtora o show de abertura come\u00e7aria \u00e0s 19h40. Cheguei no Tork \u00e0s 19h40 <span style=\"text-decoration: underline;\">cravado<\/span>, e o Uada j\u00e1 tinha tocado a primeira m\u00fasica. Entrei correndo e me ajeitei num lugar pr\u00f3ximo ao meio do palco, mas n\u00e3o muito l\u00e1 na frente. Na verdade n\u00e3o tinha muita gente no show de abertura, imagino que pela dificuldade de sair do trabalho \u00e0s 18h, ir at\u00e9 em casa, tomar um banho, ajeitar o look, essas coisas. At\u00e9 pra mim que trabalho em home office esse hor\u00e1rio ficou meio apertado. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando o Uada saiu do palco havia muita gente chegando, e boa parte do pessoal que estava na grade no primeiro show continuou ali segurando lugar para o show do Cradle. A casa encheu consideravelmente para o show principal, mas ainda assim n\u00e3o chegou a encher. A capacidade de p\u00fablico do Tork&#8217;n&#8217;Roll \u00e9 de 2200 pessoas, e o pessoal do bar adora usar isso para dizer que eles s\u00e3o ~o maior bar de rock da Am\u00e9rica Latina~. Esse marketing \u00e9 meio cafona, mas a casa realmente \u00e9 excelente: a pista estava confort\u00e1vel, o lugar n\u00e3o ficou abafado e a qualidade do som estava impec\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o fiz quest\u00e3o de ir para o meio da pista para ver o segundo show, me encostei ali perto da mesa de som, e durante o setlist aproveitei para dar umas voltas e flagrar como estava o p\u00fablico. Para se ter uma ideia, a \u00faltima vez em que eu havia escutado Cradle of Filth tinha sido quando eles lan\u00e7aram Nymphetamine, em 2004. Quando a turn\u00ea brasileira foi anunciada, h\u00e1 alguns meses, aproveitei para ouvir sem compromisso o \u00faltimo disco da banda, The Screaming of the Valkyries, lan\u00e7ado ano. Achei o som super bacana, tem uma constru\u00e7\u00e3o sonora complexa, mas n\u00e3o considero que d\u00ea pra chamar esse estilo de black metal. Eu chamaria de qualquer coisa mel\u00f3dica, sinf\u00f4nica, sei l\u00e1. A verdade \u00e9 que tenho maior preconceito com banda que tem tecladista KKKKKKKKKK<\/p>\n\n\n\n<p><em>(Aparentemente o l\u00edder da banda, o vocalista ingl\u00eas Dani Filth, tamb\u00e9m tem um problema com tecladistas, j\u00e1 que cinco musicistas &#8211; todas mulheres &#8211; j\u00e1 passaram pela forma\u00e7\u00e3o do Cradle of Filth de 2010 para c\u00e1).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O setlist foi variado, incluindo faixas do \u00faltimo lan\u00e7amento, os grandes sucessos, al\u00e9m de algumas m\u00fasicas da discografia mais antiga. Como s\u00f3 conhe\u00e7o as m\u00fasicas mais poper\u00f4, senti falta de Dusk and Her Embrace, do \u00e1lbum de mesmo nome lan\u00e7ado em 1996, e aproveitei para filmar quando eles tocaram Nymphetamine, que postei no insta do blog como reels. Todas as fotos e v\u00eddeos que fiz ficaram horr\u00edveis, e essa minha falta de talento para a produ\u00e7\u00e3o de imagens acaba me prejudicando quando tenho que atuar como ~comunicadora~ de m\u00eddias sociais. <strong>Make blog de texto great again (please).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o do ingresso foi um fator determinante para o recorte de p\u00fablico do evento; a princ\u00edpio imaginei que ia ver um povo mais juvenil &#8211; ser\u00e1 que os jovens ainda se identificam com Cradle of Filth? &#8211; mas na verdade a maioria do pessoal estava na faixa dos 30 a 40, realizando ali o sonho de uma adolesc\u00eancia tardia. Inclusive fiquei impressionada que mesmo ap\u00f3s d\u00e9cadas a t\u00e9cnica vocal do Dani Filth continua impec\u00e1vel. Imagino que ele treine muito e fa\u00e7a acompanhamento com os melhores especialistas para manter a voz assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Por terem come\u00e7ado super cedo, os shows terminaram em um hor\u00e1rio velho-friendly, \u00e0s 22h. At\u00e9 eu que tenho zero bateria social acabei esticando ali mais uma horinha, mas \u00e0s 23h o bar voltou \u00e0 sua programa\u00e7\u00e3o normal de bandas cover e eu aproveitei a deixa para ir embora. Banda cover \u00e9 contra a minha religi\u00e3o, e eu sou muito religiosa kkkkk<\/p>\n\n\n\n<p>Esse rol\u00ea foi bacana porque a propor\u00e7\u00e3o de mulheres entre o p\u00fablico era de mais ou menos 40% para 60% de homens. Tamb\u00e9m pude encontrar as meninas que fazem parte de um grupo de mensagens de que participo, e quando tem mais mulheres no rol\u00ea costumo me sentir bem mais segura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela preocupa\u00e7\u00e3o de ficar sozinha esperando carro na sa\u00edda do lugar. At\u00e9 cheguei a comentar no grupo sobre essa preocupa\u00e7\u00e3o, e v\u00e1rias delas se identificaram com esse tipo de problema e relataram experi\u00eancias de desconforto, apreens\u00e3o e at\u00e9 de ass\u00e9dio. Essa oportunidade de di\u00e1logo foi bem esclarecedora para mim, e abriu a possibilidade de trabalhar com entrevistas semiestruturadas em algum momento da pesquisa. De resto, s\u00f3 gostaria de ter tempo para escrever com maior regularidade. Os posts que fa\u00e7o no Instagram tamb\u00e9m est\u00e3o err\u00e1ticos, mas \u00e9 o melhor que temos para o momento. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim que poss\u00edvel, vou preparar um roadmap com os pr\u00f3ximos shows que acontecer\u00e3o nesse semestre, porque s\u00e3o muitos. Neste final de semana Fleshgod Apocalypse toca na \u00d3pera de Arame como abertura para o Epica, mas n\u00e3o vou porque tenho alergia a metal mel\u00f3dico. Assim, acredito que o pr\u00f3ximo show de metal extremo que a cidade nos reserva ser\u00e1 em 18 de setembro, um quinta-feira em que os estadunidenses do Malevolent Creation dividir\u00e3o o palco com Krisiun e Contortion no Stage Garden (antigo CWB Hall). At\u00e9 l\u00e1 espero trazer mais algumas reflex\u00f5es sobre a cena metal e o &#8220;mercado&#8221; da m\u00fasica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cradle of Filth e Uada tocaram aqui em Curitiba na sexta-feira, 22 de agosto. 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