{"id":471,"date":"2025-09-28T15:25:34","date_gmt":"2025-09-28T18:25:34","guid":{"rendered":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=471"},"modified":"2025-10-12T06:52:33","modified_gmt":"2025-10-12T09:52:33","slug":"sobre-heteronormatividade-behemoth-e-deicide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=471","title":{"rendered":"Sobre ass\u00e9dio, Behemoth e Deicide"},"content":{"rendered":"\n<p>Acredito que o show do Behemoth tenha sido um dos mais esperados desse ano. A banda iniciou sua tour The Unholy Trinity aqui em Curitiba, acompanhada pelo Deicide e pelo artista solo Nidhogg, no dia 19 de setembro, no Tork&#8217;n&#8217;Roll.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 faz mais de uma semana que o show aconteceu, mas s\u00f3 tive tempo de sentar para escrever agora. Trabalhar, fazer faculdade e estagiar est\u00e1 sendo uma loucura e nem sei direito como estou conseguindo manter o Instagram do blog ativo. Por causa da rotina puxada nem me arvorei a tentar ir no show do Malevolent Creation, que tocou aqui com Krisiun e os estadunidenses do Contortion na quinta-feira, dia 18. Fiquei um pouco chateada por n\u00e3o poder ir, mas, enfim, ossos da vida adulta. <\/p>\n\n\n\n<p>Um amigo que foi a esse show disse que o p\u00fablico somava aproximadamente 150 pessoas, o que \u00e9 bem pouco considerando a estatura do line-up. \u00c9 curioso como passamos meses sem nenhum tipo de evento na cidade, mas, quando eles acontecem, \u00e9 sempre tudo ao mesmo tempo. N\u00e3o s\u00f3 o show no meio da semana \u00e9 ruim para quem trabalha cedo no dia seguinte, mas a sequ\u00eancia de eventos muito pr\u00f3ximos implica uma press\u00e3o financeira bem grande, ainda mais considerando que os ingressos para o Behemoth estavam um tanto acima da m\u00e9dia de pre\u00e7os praticada normalmente. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o tinha comprado ingressos antecipados &#8211; infelizmente tenho esse p\u00e9ssimo h\u00e1bito de decidir se vou mesmo na \u00faltima hora &#8211; mas consegui desenrolar a compra de uma meia-entrada para estudante com um seguidor pelo insta do blog. O \u00fanico problema, a meu ver, foi o evento dividir o espa\u00e7o da plateia em pista comum e pista premium; acho que o Tork n\u00e3o tem estrutura para esse formato. Sem falar que boa parte da pista premium estava vazia, enquanto o pessoal da pista comum estava se espremendo para tentar ver o palco. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu mesma tive pouca vis\u00e3o do palco e, portanto, n\u00e3o consegui tirar boas fotos ou fazer v\u00eddeos bacanas. No meu caso, como imprensa independente, isso acaba provocando uma esp\u00e9cie de c\u00edrculo vicioso: como n\u00e3o consigo produzir uma m\u00eddia legal, perco em alcance e engajamento; e, pela minha p\u00e1gina ter pouco alcance e um n\u00famero baixo de seguidores, as assessorias continuam me negando credenciamento de imprensa. De qualquer forma, est\u00e1 bem claro que meu trabalho \u00e9 muito diferente daquele dos influencers e das p\u00e1ginas de divulga\u00e7\u00e3o de eventos. <\/p>\n\n\n\n<p>O evento aconteceu numa sexta-feira, e, assim como o show do Uada e Cradle of Filth, come\u00e7ou bem cedo. A casa abriu \u00e0s 18h e Nidhogg j\u00e1 tocou \u00e0s 19h. Trabalhei at\u00e9 as 18h, depois precisei de um banho e de algo para comer, e isso me atrasou um bocado. Quando cheguei ao Tork, o primeiro show j\u00e1 tinha terminado e o Deicide estava para subir ao palco. Consegui me encostar no balc\u00e3o do bar num lugar onde dava para ter uma vis\u00e3o bacana do palco, ainda que de longe. Eu tb estava pr\u00f3xima da mesa de som. <\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei contente ao ver que o p\u00fablico comparecera em peso. Acredito que tenham sido por volta de 1600 pessoas &#8211; ao todo uns 3\/4 da lota\u00e7\u00e3o da casa -, sendo mantida a propor\u00e7\u00e3o aproximada de 70% homens e 30% mulheres. Vi muitos casais, o que confirma tamb\u00e9m a predomin\u00e2ncia heteronormativa na cena, e ainda acho dif\u00edcil fazer um perfilamento racial do p\u00fablico porque a representatividade \u00e9 realmente min\u00fascula. J\u00e1 a faixa et\u00e1ria predominante era dos 35 aos 45 anos, e acredito que escolha do lugar e a faixa de pre\u00e7os dos ingressos tenham sido determinantes para a segmenta\u00e7\u00e3o do perfil socioecon\u00f4mico do p\u00fablico. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Me ocorreu agora que o rol\u00ea &#8220;do rock&#8221; em geral seja t\u00e3o conservador justamente em raz\u00e3o da delimita\u00e7\u00e3o desse perfil contemplado por tantos privil\u00e9gios socioecon\u00f4micos como p\u00fablico preferencial das casas especializadas nesse segmento.<br>Em se tratando especificamente do metal extremo, acho bastante problem\u00e1tica essa predomin\u00e2ncia t\u00e3o patente da heteronormatividade e do conservadorismo pol\u00edtico. N\u00e3o seria esse um g\u00eanero musical de n\u00e3o-conformidade e contesta\u00e7\u00e3o \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es da sociedade? <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O Deicide subiu ao palco \u00e0s 20h, conforme divulgado antecipadamente. Assisti o show sozinha encostada ali no balc\u00e3o. Fiquei bem impressionada com a vitalidade da banda, especialmente de seu l\u00edder, Glen Benton. \u00c0s v\u00e9speras de completar 40 anos de estrada, o Deicide continua mais porrada do que nunca. Embora a tour tenha sido para divulga\u00e7\u00e3o de seu \u00e1lbum mais recente, <em>Banished by Sin<\/em>, de 2024, o setlist estava recheado de cl\u00e1ssicos para os f\u00e3s mais antigueira. Das m\u00fasicas que eles tocaram, as que mais gosto s\u00e3o <em>Once Upon the Cross<\/em> e <em>Sacrificial Suicide<\/em>, e achei muito legal ver aquele monte de marmanjo se rasgar de cantar junto. Na verdade, isso tamb\u00e9m me causou algum estranhamento porque tem letra que simplesmente n\u00e3o d\u00e1 pra entender, o que quer dizer que os caras foram procurar procurar as letras das m\u00fasicas para poder aprender. Haja dedica\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>O show durou 1h cravado e n\u00e3o teve bis, depois rolou uma meia hora de intervalo para montagem do equipamento e cenografia do Behemoth. Foi nesse \u00ednterim que encontrei algumas amigas que conheci em rol\u00eas anteriores, e fiquei contente por me sentir um pouco menos socialmente deslocada. Outros conhecidos meus estavam na pista premium, ent\u00e3o s\u00f3 pude conversar com eles depois que o show acabou. O Behemoth subiu ao palco \u00e0s 21h30, e as grades da pista comum j\u00e1 estavam todas ocupadas pelo pessoal que ficou guardando lugar desde o final do Deicide. <\/p>\n\n\n\n<p>Nos ajeitamos em um lugar do lado esquerdo do palco, n\u00e3o muito atr\u00e1s do pessoal da grade. A vis\u00e3o do palco n\u00e3o era boa, mas era melhor que ficar mais atr\u00e1s e n\u00e3o ver nada. Engra\u00e7ado que eu n\u00e3o tinha gostado muito de <em>The Shit of God<\/em> quando ouvi o \u00e1lbum, mas ao vivo realmente \u00e9 outra coisa. Durante as primeiras m\u00fasicas fiquei prestando mais aten\u00e7\u00e3o no p\u00fablico do que na banda, e pude perceber que tinha gente chorando, gente pulando feito crian\u00e7a e grupos de amigos se abra\u00e7ando por realizar juntos o desejo de ver Behemoth ao vivo. <\/p>\n\n\n\n<p>Minha expectativa para esse show n\u00e3o era muito maior do que a que eu tivera em rela\u00e7\u00e3o ao Cradle of Filth: esperava um show bacana, mas nada extraordin\u00e1rio. Felizmente, eu estava enganada: foi um show espetacular, recheado de teatralidade, pausas para trocas de figurino e bastante intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. O <s>Megamente<\/s> Nergal tem um comando de palco excelente, e os demais membros da banda realmente n\u00e3o ficam para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>O setlist teve poucas mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele do bra\u00e7o europeu da turn\u00ea, e logo no come\u00e7o eles tocaram <em>Ora pro nobis Lucifer<\/em> para prender o p\u00fablico. Eu sa\u00ed do corpo quando eles tocaram seguidas <em>Blow your Trumpets, Gabriel<\/em> e <em>Ov Fire and the Void<\/em>. Essas j\u00e1 eram minhas m\u00fasicas favoritas do Behemoth e, desde o show, tenho escutado as duas no repeat. Queria ter gravado o p\u00fablico todo cantando <em>Blow your Trumpets<\/em> junto, mas eu j\u00e1 estava t\u00e3o absorta que s\u00f3 fui me ligar depois. Outra coisa que achei sensacional foi terem inclu\u00eddo umas antigueiras mais para o final do set, especialmente <em>Cursed Angel of Doom<\/em> e <em>Chant for Eschaton 2000<\/em>, que s\u00e3o de um estilo de black metal mais cru do in\u00edcio da banda, nos anos 90. Para encerrar com a energia l\u00e1 em cima, o bis foi O Father, O Satan, O Sun. Perfei\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi de longe o melhor show que assisti at\u00e9 hoje no Tork, mesmo com o som do lugar sendo super baixo. Definitivamente a experi\u00eancia teria sido ainda melhor com o som mais alto, mas, quanto \u00e0 qualidade, n\u00e3o tenho do que me queixar. Tenho queixas, contudo, de ass\u00e9dio durante o show. Tanto eu, como as meninas que estavam comigo, fomos seriamente importunadas por v\u00e1rios homens que se aproximaram demais, tentaram nos tocar e tentaram passar cantada. Que eu lembre, foram uns 3 caras, em diferentes momentos do show.<br>Fazia um tempo consider\u00e1vel desde a \u00faltima vez em que eu sofrera ass\u00e9dio num show, e essa experi\u00eancia de agora foi particularmente desagrad\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<p>Tenho verdadeiro nojo desse tipo de comportamento. Em um post anterior eu havia comentado como me sinto mais segura na companhia de outras mulheres no rol\u00ea, mas, realmente, estar em grupo n\u00e3o \u00e9 garantia de nada. Terminei o show super contente com a banda, mas com muita raiva dos homens que se sentem no direito de nos importunar simplesmente por sermos mulheres. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acredito que o show do Behemoth tenha sido um dos mais esperados desse ano. A banda iniciou sua tour The Unholy Trinity aqui em Curitiba, acompanhada pelo Deicide e pelo artista solo Nidhogg, no dia 19 de setembro, no Tork&#8217;n&#8217;Roll. 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