{"id":53,"date":"2024-12-24T13:26:43","date_gmt":"2024-12-24T16:26:43","guid":{"rendered":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=53"},"modified":"2024-12-24T13:27:19","modified_gmt":"2024-12-24T16:27:19","slug":"natal-sem-deus-no-camaleao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=53","title":{"rendered":"Natal sem Deus no Camale\u00e3o\u00a0Cultural"},"content":{"rendered":"\n<p>Natal sem Deus \u00e9 um evento anual que j\u00e1 se encontra em sua d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o. Promovido pela Spunk, o evento re\u00fane bandas underground para uma tarde de mosh, bebedeira, som porrada e arrecada\u00e7\u00e3o de brinquedos para a\u00e7\u00f5es de caridade. A edi\u00e7\u00e3o desse ano aconteceu num bar chamado Camale\u00e3o Cultural, que fica na rua S\u00e3o Francisco, centro do bairro hom\u00f4nimo. \u00c9 uma das principais \u00e1reas do centro hist\u00f3rico de Curitiba, pontilhada por edif\u00edcios ecl\u00e9ticos do in\u00edcio do s\u00e9culo XX e grandes pr\u00e9dios de caracter\u00edsticas modernas, constru\u00eddos l\u00e1 pela d\u00e9cada de 50 e 60. A rua S\u00e3o Francisco, em especial, por n\u00e3o se tratar de uma rua residencial, conta com uma quantidade significativa de bares, caf\u00e9s e outros com\u00e9rcios alternativos, como brech\u00f3s e barbearias.<\/p>\n\n\n\n<p>Coisa de uns 10 anos atr\u00e1s houve uma tentativa de gentrifica\u00e7\u00e3o da rua, que a transformou em ponto de sociabiliza\u00e7\u00e3o para jovens brancos de classe m\u00e9dia com a implementa\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcios caros. A iniciativa, al\u00e9m de ser por si s\u00f3 excludente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es negras e mais pobres que ocupam o centro hist\u00f3rico da cidade, foi frustrada pelo tr\u00e1fico, que voltou a ditar como a rua poderia e deveria ser ocupada de dia e de noite. Os com\u00e9rcios caros buscaram \u00e1reas mais brancas da cidade para ocupar, e bares mais baratos seguiram funcionando ali, como \u00e9 o caso do meu bar favorito da vida, o Dino.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dino \u00e9 um bar relativamente recente, que deve ter uns 3 anos de funcionamento, e fica bem ao lado do Camale\u00e3o Cultural. \u00c9 um boteco roots onde o litr\u00e3o custa 16 reais, tem mesa de sinuca e pebolim e ningu\u00e9m liga se vc fuma no andar de cima (o bar tem tr\u00eas andares!!). J\u00e1 o Camale\u00e3o Cultural \u00e9 um bar com estrutura pra shows e apresenta uma programa\u00e7\u00e3o cultural variada com noites de funk, g\u00f3tico, brasilidades, death metal, pagode, drag queens\u2026 s\u00f3 n\u00e3o tem o que vc n\u00e3o quer. Pra um lugar que opera como casa de shows, o espa\u00e7o \u00e9 bem pequeno e a ventila\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito boa, o que d\u00e1 ao lugar uma atmosfera de inferninho que eu, particularmente, acho legal.<\/p>\n\n\n\n<p>A abertura da casa estava programada para as 15h com o show da primeira banda, Badtrip, marcado para as 16h30. Cheguei na fun\u00e7\u00e3o \u00e0s 17h e o show ainda n\u00e3o havia come\u00e7ado. A rua estava muito cheia, tinha muitos punks, uns emos com cara de ensino m\u00e9dio, uma galera glam metal (vi at\u00e9 uma pessoa usando camiseta do Cinderella KKKKK), uns hard rock de camiseta cropped e bigod\u00e3o\u2026 muita gente mesmo! E, claro, os mesmos metaleiros velhos e cansados de sempre, dentre os quais incluo a mim mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazia um calor abafado e a chuva amea\u00e7ava cair a qualquer momento. Quando choveu, as bandas estavam come\u00e7ando e o lugar ficou muito cheio. N\u00e3o vi o show do Badtrip, deixei para entrar na segunda banda, o Cemit\u00e9rio. Cemit\u00e9rio \u00e9 uma banda de thrash\/death metal que canta em portugu\u00eas e tem m\u00fasicas com tem\u00e1ticas de filmes de horror. Foi um show divertido, e m\u00fasicas como Massacre no Texas e Holocausto Canibal fizeram os mais jovens ca\u00edrem no mosh. Foi engra\u00e7ado quando a banda anunciou que haviam perdido uma gaita (!!!), um par de \u00f3culos e um fone de ouvido no meio do mosh. Tentei filmar, mas eu estava muito no fundo e o v\u00eddeo ficou p\u00e9ssimo. Foi minha primeira tentativa de v\u00eddeo com o celular novo, e at\u00e9 o final da noite tive algumas tentativas melhor sucedidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira banda do lineup foi, na minha opini\u00e3o, o destaque do evento. Espectro \u00e9 uma banda curitibana de heavy metal tradicional com um pezinho no stoner rock: dois g\u00eaneros que eu n\u00e3o sou muito f\u00e3, mas beleza. Cara, que surpresa! Todos os instrumentos perfeitos, com destaque pra Karina do duo Cassandra na bateria, e um vocalista muito muito bom. J\u00e1 fiquei ansiosa para v\u00ea-los tocar outra vez.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Espectro @ Camale\u00e3o Cultural dez. 22\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_X1WoTIZtXk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A quarta banda do lineup foi o Crotch Rot, banda de grindcore que est\u00e1 sempre por aqui. J\u00e1 vi show deles algumas vezes e, como grind n\u00e3o \u00e9 muito o meu rol\u00ea, acabei aproveitando pra sentar um pouco no Jana\u00edno, bar vegano que fica em frente ao Camale\u00e3o, e fazer um lanche. Entre encontros e desencontros com o pessoal, fiquei por ali at\u00e9 a metade do show do Creatures. Quando entrei pra ver a banda entendi porque tinha tanta gente do hard rock e glam metal no meio da galera: era exatamente essa a vibe da banda. Solos infinitos de guitarra, vocal em falsetto, bigodes enormes, tudo com aquela vibe de in\u00edcio dos anos 80. \u00c9 uma banda que eu jamais descobriria se o lineup do Natal sem Deus n\u00e3o fosse t\u00e3o ecl\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 pelas 21h veio o show mais aguardado da noite, da banda Podrid\u00e3o. Podrid\u00e3o \u00e9 uma banda de death metal do interior de S\u00e3o Paulo que tem sido aclamada como uma das melhores do g\u00eanero atualmente. De 2016 para c\u00e1, a banda teve uma prol\u00edfica discografia \u00e0 qual fez jus o show de aproximadamente 1h de dura\u00e7\u00e3o. A noite encerrou com a banda C\u00e3es de Terminal, mas \u00e0quela altura eu j\u00e1 estava bem cansada e preferi ficar conversando com o pessoal no segundo andar do bar, onde algumas rolavam algumas banquinhas de merch, e onde tamb\u00e9m expunham o brech\u00f3 trevoso da Vit\u00f3ria e as artes macabras da FranHell.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Podrid\u00e3o @ Natal sem Deus 22 dez. 2024\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wN776P1rJd4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Embora eu n\u00e3o tenha assistido todas as bandas, achei o evento bem organizado, sem filas de caixa, organizadores f\u00e1ceis de identificar no meio da galera (eles usavam touca de papai noel), e informa\u00e7\u00f5es claras e f\u00e1ceis de acessar. Embora n\u00e3o tenha sido muito pontual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 programa\u00e7\u00e3o divulgada pelo instagram, foi muito \u00fatil uma postagem que fizeram indicando a sequ\u00eancia e os hor\u00e1rios em que tocariam as bandas. O que faltou foi lugar pra sentar e mais banheiros pra que n\u00e3o se formassem filas t\u00e3o demoradas. Mas isso vai da estrutura do Camale\u00e3o e n\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do evento. Acabei passando bastante tempo nos bares adjacentes pra poder sentar um pouco, comer, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sei como a organiza\u00e7\u00e3o do Natal sem Deus faz a presta\u00e7\u00e3o de contas das doa\u00e7\u00f5es arrecadadas, mas ficaria feliz em ver para onde ser\u00e3o doados os brinquedos e os valores em dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse relato do \u00faltimo evento de metal extremo do ano, despe\u00e7o-me do Medium. O arquivo de cr\u00f4nicas publicadas aqui j\u00e1 foi transferido para o dom\u00ednio <a href=\"https:\/\/curitibametal.com\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><strong>curitibametal.com<\/strong><\/a>, plataforma a partir da qual ser\u00e3o publicados os pr\u00f3ximos textos. No hiato de shows do m\u00eas de janeiro devo aproveitar pra me jogar muito nos blocos de carnaval, afinal, nem s\u00f3 de metal vive a mulher. Nesse \u00ednterim tamb\u00e9m pretendo escrever sobre algumas outras coisas como filmes e lan\u00e7amentos de discos, mas vamos ver como ser\u00e1 o andamento do in\u00edcio de 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natal sem Deus \u00e9 um evento anual que j\u00e1 se encontra em sua d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o. Promovido pela Spunk, o evento re\u00fane bandas underground para uma tarde de mosh, bebedeira, som porrada e arrecada\u00e7\u00e3o de brinquedos para a\u00e7\u00f5es de caridade. 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