{"id":539,"date":"2025-12-21T03:39:55","date_gmt":"2025-12-21T06:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=539"},"modified":"2025-12-21T03:49:14","modified_gmt":"2025-12-21T06:49:14","slug":"curitiba-metal-completa-1-ano-bastidores-do-blog","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=539","title":{"rendered":"curitiba metal completa 1 ano: bastidores do blog"},"content":{"rendered":"\n<p>O blog, em sua itera\u00e7\u00e3o como curitibametal.com, completou seu primeiro ano ontem, por isso acredito ser conveniente compartilhar um pouco da minha experi\u00eancia como autora desse di\u00e1rio de pesquisa. Primeiro vou falar um pouco do momento que estou vivendo atualmente e como isso se relaciona com a minha viv\u00eancia na &#8220;cena&#8221;, depois comento um pouco como a experi\u00eancia do blog tem tido desdobramentos na minha vida pessoal, e, ao longo do texto, vou tecendo algumas considera\u00e7\u00f5es gerais sobre os shows que assisti.<\/p>\n\n\n\n<p>A intensa agenda de shows de metal extremo de 2025 \u00e9 algo que pode ser considerado fora da curva. J\u00e1 faz dois anos que escrevo &#8211; demorei para come\u00e7ar a publicar &#8211; mas l\u00e1 no in\u00edcio os shows eram mais escassos e havia um intervalo consider\u00e1vel de tempo entre um e outro. Acontecia um show por m\u00eas, \u00e0s vezes a cada dois meses, outras vezes se passavam alguns meses sem sinal de atividade no role. Esse espa\u00e7amento de tempo foi fundamental para o amadurecimento de aspectos te\u00f3ricos e anal\u00edticos dessa pesquisa&#8230; at\u00e9 que a coisa engrenou!<\/p>\n\n\n\n<p>Solicitei meu primeiro credenciamento como imprensa em fevereiro, para o show do Rotting Christ, e n\u00e3o canso de agradecer a Clovis e Kenia da Acesso Music por me darem essa primeira oportunidade de observar a din\u00e2mica de um evento t\u00e3o marcante de um outro ponto de vista: o da comunica\u00e7\u00e3o. Seguiram-se alguns outros shows surpreendentes, como o festival em que tocou o Dark Funeral, Archgoat (para mim um dos melhores do ano), Pentagram (que a querida da Elaine me convidou para ir), Ancient, que superou em muito as minhas expectativas&#8230; a\u00ed comecei dois projetos grandes como freelancer que tinham praticamente o mesmo cronograma. No meio desse <em>crescendo<\/em>, o blog teve que parar. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi no dia da show da Crypta no Stage Garden que consegui retomar a escrita. N\u00e3o pude estar no show, a data foi s\u00f3 uma coincid\u00eancia. Voltei a usar o instagram para articular com as bandas, os f\u00e3s e os produtores dos eventos, e no fim do mesmo m\u00eas pude ver meu xodozinho do blackened death metal nacional que \u00e9 o Ereboros kkkk A experi\u00eancia desse evento foi muito marcante para mim porque foi a primeira oportunidade que tive de interagir com as gurias que frequentam a cena extrema aqui em Curitiba. Para minha sorte, todas foram gentis e acolhedoras, e tem sido um prazer vivenciar de forma coletiva a experi\u00eancia de ser uma mulher sozinha (no sentido de n ser casal) no underground. <\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que eu me estabilizava, agosto j\u00e1 entrou com uma lapada de shows foda: Testament e Uada com Cradle of Filth. Tamb\u00e9m vieram a Curitiba as gigantes nacionais Eskr\u00f6ta e Uganga. N\u00e3o satisfeitos, ainda meteram em setembro o Krisiun com Malevolent Creation no Stage e <strong>no dia seguinte<\/strong> Deicide com Behemoth no Tork. N\u00e3o sei se cometi alguma gafe ou se o cara acha que tenho poucos seguidores, mas o assessor de alguns desses shows gringos recusou categoricamente meus pedidos de credenciamento. N\u00e3o consegui ver os shows de um bom lugar, mas foi antropologicamente interessante, ainda que <strong>nojento pra krl,<\/strong> sofrer ass\u00e9dio na pista. Mas eu sou uma cientista, e consegui tirar disso alguns insights sobre din\u00e2micas de classe e viol\u00eancia de g\u00eanero no espa\u00e7o p\u00fablico. Afinal, tudo s\u00e3o dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, o instagram do blog ganhou tra\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o desse di\u00e1rio de campo, e fiquei contente por perceber que os seguidores que acumulei organicamente durante o per\u00edodo realmente l\u00eaem o que eu escrevo!!! Sempre achei que os textos passariam batido, at\u00e9 porque blog de texto \u00e9 uma m\u00eddia jur\u00e1ssica. Fiquei muito feliz n\u00e3o s\u00f3 pela oportunidade de conversar e compreender os pontos de vista de muita gente nova, mas por perceber que nem todo mundo quer conte\u00fado mastigado em 1 minuto para caber no tiktok.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, sabia que cada di\u00e1rio publicado aqui leva at\u00e9 4h para ser escrito? Nem vejo esse tempo passar, mas o dif\u00edcil ultimamente tem sido ter 4h para alguma coisa. <br>Depois do show do Flagelad\u00f6r, aquele em que levei um chute na maldade quando come\u00e7ou o mosh, escrevi 4 publica\u00e7\u00f5es na forma de artigo: sobre a turn\u00ea de Groza e Outlaw, sobre Brujeria, sobre Velho e Podrid\u00e3o e sobre Harakiri for the Sky. S\u00f3 as cr\u00f4nicas nem sempre d\u00e3o conta de aprofundar as an\u00e1lises que elaboro a partir da rela\u00e7\u00e3o da banda com o cen\u00e1rio local e global, e a escrita tem sido fundamental para desenvolver melhor a observa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. A resposta do p\u00fablico foi incrivelmente incr\u00edvel, e, mesmo quando lancei umas ideias incompletas no insta sobre m\u00fasica e cultura pol\u00edtica pude ter conversas incr\u00edveis com v\u00e1rias pessoas sobre diferentes perspectivas sobre o tema. Rascunhei at\u00e9 um projeto de segundo doutorado ou p\u00f3s-doc a respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>De um modo geral, essa intera\u00e7\u00e3o com pessoas que v\u00eam de meios completamente diferentes e pensam de maneira muito diferente de mim tem sido a maior riqueza que o blog tem me trazido, e minha maior motiva\u00e7\u00e3o para continuar. Al\u00e9m disso, estar presente em shows dos mais diversos tem me ajudado muito a refazer meu c\u00edrculo social, que morreu quase completamente nos \u00faltimos anos. Meus amigos mais pr\u00f3ximos mudaram de estado e at\u00e9 de pa\u00eds. As gurias do doutorado foram cada uma trabalhar em um canto. Quem ficou casou e sumiu. Nesse cen\u00e1rio, o blog tem sido a \u00fanica vida social que tenho tido e, talvez por isso, apesar da escassez de tempo, eu fa\u00e7a tanta quest\u00e3o de continuar indo nos shows, divulgando e tudo mais. <\/p>\n\n\n\n<p>A maior recompensa por esse esfor\u00e7o foi, certamente, meu credenciamento como imprensa para o show do Mayhem. Vou deixar para narrar essa experi\u00eancia em outro post porque esse j\u00e1 est\u00e1 mais longo que a m\u00e9dia, mas encerro esse primeiro ano de blog muito satisfeita com a amplia\u00e7\u00e3o das perspectivas sobre as subjetividades do role. N\u00e3o est\u00e1 nada f\u00e1cil encontrar equil\u00edbrio entre dois empregos, faculdade e vida pessoal, e creio que as consequ\u00eancias dessa rotina extenuante t\u00eam transparecido nas postagens recentes, ou na falta delas. Mas o saldo majoritariamente positivo da experi\u00eancia do \u00faltimo ano me motivam a continuar apoiando o metal extremo, e analisando cr\u00edtica e continuamente minha experi\u00eancia como mulher negra no underground curitibano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O blog, em sua itera\u00e7\u00e3o como curitibametal.com, completou seu primeiro ano ontem, por isso acredito ser conveniente compartilhar um pouco da minha experi\u00eancia como autora desse di\u00e1rio de pesquisa. 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