{"id":546,"date":"2025-12-30T23:06:51","date_gmt":"2025-12-31T02:06:51","guid":{"rendered":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=546"},"modified":"2026-01-31T23:45:41","modified_gmt":"2026-02-01T02:45:41","slug":"enfim-mayhem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curitibametal.com\/?p=546","title":{"rendered":"Enfim, Mayhem!"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a turn\u00ea de 40 anos do Mayhem foi anunciada para a Am\u00e9rica Latina eu n\u00e3o pensei nada. Para mim era certo que n\u00e3o haveria data no Brasil depois daquela fiasqueira que armaram contra os shows da banda para ganho pol\u00edtico na turn\u00ea de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na verdade eu esperava para ver o Mayhem desde 2017, quando eles estiveram em Curitiba tocando a integra de De Mysteris Dom Sathanas, mas n\u00e3o conseguir ir porque eu era uma bolsista fudida de mestrado e j\u00e1 tinha gastado o que n\u00e3o tinha para ir num congresso em que me inscrevi com 1 ano de anteced\u00eancia. O voo de volta para casa foi dolorido, porque nele me acompanhavam meia d\u00fazia de metaleiros se deslocando at\u00e9 cwb para o show.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A confirma\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica data no Brasil para a turn\u00ea desse ano me deu um aperto no cora\u00e7\u00e3o porque sabia da possibilidade que aquela galera fode-esquema se manifestasse outra vez. Ali\u00e1s, me chateia que tenha sido um pessoal de esquerda quem puxou o boicote contra o Mayhem. Pra mim isso \u00e9 comportamento de crente bolsominion, sabe? Promover ataque institucional contra uma galera que tem zero articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica &#8211; como \u00e9 o caso dos f\u00e3s de metal extremo &#8211; \u00e9 uma forma covarde de obter ganho pol\u00edtico, n\u00e3o diferente das reportagens sensacionalistas do Fant\u00e1stico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, o show foi confirmado para 7 de dezembro na VIP Station, em S\u00e3o Paulo. E como muitos dos shows de bandas FODA que t\u00eam acontecido, a data \u00fanica em SP foi um domingo. Foi assim com Sargeist, com Marduk, com Ulcerate\u2026 e vamos combinar que show no domingo nunca \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 classe trabalhadora. Especialmente \u00e0quela que precisa viajar para ver o show. Tem poucos meses que entrei no meu emprego atual, e eu simplesmente n\u00e3o podia arriscar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passei um tempo fazendo as pazes com a ideia de que n\u00e3o veria esse show (n\u00e3o funcionou kkk) at\u00e9 que a Gerunda Produ\u00e7\u00f5es facilitou meu credenciamento como imprensa para cobertura. A\u00ed n\u00e3o pensei duas vezes e fechei para ir de van com a Metal Devastation Excurs\u00f5es, j\u00e1 que a VIP Station \u00e9 super fora de m\u00e3o e eu precisaria bater meu ponto de volta em Curitiba \u00e0s 9h do dia seguinte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fazia tempo que eu queria escrever sobre um rol\u00ea de excurs\u00e3o, mas sou velha e acomodada, por isso morria de medo da dor nas costas e do cheiro de chul\u00e9 numa uma dessas loucuragens de van. Traumas da juventude, n\u00e9? peguei minha primeira excurs\u00e3o pra show aos 14 e aos 36 j\u00e1 me habituei \u00e0s viagens de avi\u00e3o e reservas em hotel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabe quando tudo d\u00e1 errado mas d\u00e1 certo? Foi exatamente o que aconteceu. Sa\u00edmos do ponto de encontro sabendo que precisar\u00edamos trocar de van porque a primeira estava com problema. A segunda van era bem menos confort\u00e1vel que a segunda, mas nos levou em seguran\u00e7a at\u00e9 a entrada de S\u00e3o Paulo. \u00c9ramos 9 ao todo (ningu\u00e9m tinha chul\u00e9, ainda bem) e est\u00e1vamos preocupados em perder o hor\u00e1rio do show por causa de alguns acidentes na estrada. Sim, mais de um.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A faixa et\u00e1ria m\u00e9dia estaria por volta de 40+ se n\u00e3o por um rapaz e uma mo\u00e7a um pouco mais novos, que seguiam para o show do Kanonenfieber, que aconteceria no mesmo dia e hor\u00e1rio (puta sacanagem!) no Carioca Club.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando entramos em S\u00e3o Paulo a van, que morreu algumas vezes no trajeto, n\u00e3o aguentou o tr\u00e2nsito parado na subida de uma ladeira: a embreagem queimou. Os carros atr\u00e1s na fila foram desviando um a um, sen\u00e3o por um aben\u00e7oado que ficou logo atr\u00e1s. Numa das v\u00e1rias tentativas de engatar a marcha para continuar a subida a van voltou um pouco de r\u00e9 na descida e encostou no carro dessa criatura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a van finalmente conseguiu engatar para subir, o desquerido fechou a van reclamando da batida. O motorista acordou o cara que encostariam para trocar contato t\u00e3o logo consegu\u00edssemos, finalmente, vencer a pirambeira. Quando paramos o motorista da van foi falar com o cara do carro, mas alguns membros da excurs\u00e3o, curiosos, desceram para acompanhar. N\u00e3o surpreendentemente o cara do carro deu uma baixada na bola quando os caras tatuados e vestidos de couro desceram hahaha<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo sem embreagem chegamos na VIP Station \u00e0s 18h, hor\u00e1rio em que foi anunciada a abertura da casa. A fila j\u00e1 estava grande e fiquei super feliz de encontrar pessoas conhecidas l\u00e1. Encostamos no \u00fanico bar das redondezas, que fica bem em frente ao local do show e ficamos enrolando algum tempo, porque a abertura da casa atrasou um bocado. Isso por si j\u00e1 era indicativo de que o show atrasaria, o que de fato aconteceu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Haviam duas filas, uma para a pista e outra para a vip. Fiquei na fila da vip com uma amiga porque n\u00e3o sabia onde eu entraria e, para ser sincera, at\u00e9 o \u00faltimo segundo eu estava com o cu na m\u00e3o com medo de n\u00e3o estar na lista credenciada como imprensa. Entrei bastante aliviada, e, como n\u00e3o me deixaram subir para o mezanino onde ficava a \u00e1rea vip, fui para a pista e peguei um lugar pertinho da grade. Era um lugar realmente muito bom, e deu uma preocupa\u00e7\u00e3ozinha sair dali para me informar sobre o acesso que a pulseira de imprensa me garantiria. Valeu a pena porque \u00e0 imprensa foi garantido acesso \u00e0 frente da grade durante as tr\u00eas primeiras m\u00fasicas para fazer fotos e v\u00eddeos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passei \u00e0 frente da grade e, embora parecesse que o show come\u00e7aria a qualquer momento, a banda subiria ao palco com 1h de atraso, \u00e0s 21h. Nesse \u00ednterim fiquei observando o p\u00fablico, o lugar e o pessoal na \u00e1rea de imprensa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A VIP Station \u00e9 uma casa bem espa\u00e7osa, com capacidade para cerca de 4 mil pessoas. O p\u00fablico total para o Mayhem parece ter ficado por volta de 3 mil pessoas, talvez um pouco menos, o que garantiu bastante conforto durante todo o espet\u00e1culo. O ar condicionado dava conta de todo o local, apesar da onda de calor que se iniciava, e,&nbsp;<em>diferente de certos lugares<\/em>, n\u00e3o desligaram a ventila\u00e7\u00e3o durante o show para for\u00e7ar aumento do consumo no bar. Gostei, honestidade com o p\u00fablico \u00e9 fundamental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo que pude observar, a propor\u00e7\u00e3o de g\u00eanero entre o p\u00fablico era algo em torno de 75% homens e 25% mulheres, com uma faixa et\u00e1ria bastante ampla &#8211; vi muitos jovens da faixa dos 20 por l\u00e1, mas o predom\u00ednio realmente \u00e9 do pessoal dos 40. Algo de que gosto nos shows que vejo em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m \u00e9 a maior representatividade de pessoas negras\/n\u00e3o-brancas, porque por muito tempo me senti meio alien\u00edgena\/alienada no rol\u00ea do metal por ser negra, ainda que tenha certa passabilidade por n\u00e3o ser retinta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 na frente da grade, onde se concentrava a imprensa credenciada, a propor\u00e7\u00e3o era esmagadoramente inversa: muitas mulheres na faixa dos 30, pouqu\u00edssimos homens. Acho que de pessoa n\u00e3o-branca s\u00f3 tinha eu. Sempre me sinto um pouco deslocada nesses roles como imprensa porque minha experi\u00eancia ainda \u00e9 pouca e porque meu ve\u00edculo \u00e9 blog de texto, como faziam os antigos fen\u00edcios. N\u00e3o sou influencer como as gurias que estavam l\u00e1 nem tenho equipamento profissional de \u00e1udio e v\u00eddeo. Na verdade eu nunca tinha visto \u201cinfluencer\u201d de perto e fiquei um pouco assustada com tanto peito de silicone e preenchimento labial. Era s\u00f3 eu, minha bagagem te\u00f3rica e um celular com a bateria viciada pra dar conta de tanta coisa que acontecia ali ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que o tempo passava e o show demorava a come\u00e7ar foi batendo uma preocupa\u00e7\u00e3o com a necessidade de bater ponto de volta em Curitiba na manh\u00e3 seguinte. At\u00e9 descolei um dia de home office na segunda dia 8\/12, mas a excurs\u00e3o j\u00e1 estava paga quando isso aconteceu, ent\u00e3o mantive os planos como estavam. No palco estavam montados os instrumentos, duas escadarias, uma de cada lado, que serviriam \u00e0 cenografia, e algumas colagens de imagens repetiam em loop no tel\u00e3o de fundo acompanhadas de uma vinheta sonora de tom sombrio, que intensificava o clima de suspense no ar. Algumas pessoas j\u00e1 reclamavam da demora quando a banda subiu ao palco, mas todos se calaram quando as luzes foram apagadas e uma introdu\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo iniciou no tel\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A abertura do show, de fato, foi esse v\u00eddeo que tinha uma est\u00e9tica grunge muito apurada e narrava por meio de fotografias e v\u00eddeos antigos a trajet\u00f3ria da banda desde sua concep\u00e7\u00e3o, em 1983, at\u00e9 os dias atuais, preservando alus\u00f5es aos crimes e pol\u00eamicas que contribu\u00edram para consolidar o Mayhem como o maior nome do black metal noruegu\u00eas e, qui\u00e7\u00e1, do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma erup\u00e7\u00e3o de gritos emergiu do p\u00fablico quando a banda subiu ao palco e, naquele momento, quisera estar ao mesmo tempo tanto em frente ao palco como no meio da galera para observar como o pessoal sentia aquele momento. Eu mesma estava muito impressionada naquele momento por estar ali t\u00e3o perto daquelas figuras quase m\u00edticas &#8211; mas t\u00e3o imperfeitamente humanas &#8211; de quem ouvi falar a vida inteira: os guitarristas Teloch e Ghul caracterizados cada um a seu jeito; Hellhammer quase escondido atr\u00e1s da bateria; o Necrobutcher, \u00fanico membro da forma\u00e7\u00e3o original, que nunca imaginei ser um cara t\u00e3o baixinho (!!!!); e, por fim, a figura inexplic\u00e1vel que \u00e9 o vocalista Attila Csihar, \u00fanico membro da banda a portar uma caracteriza\u00e7\u00e3o elaborada, teatral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Attila \u00e9 uma figura de um magnetismo sem igual. Claro, todos os membros do Mayhem s\u00e3o m\u00fasicos de talento e brutalidade sem igual, mas Attila realmente t\u00e1 al\u00e9m. Al\u00e9m do humano, talvez. Sua voz parece vir n\u00e3o de dentro de um corpo fr\u00e1gil, mas da dist\u00e2ncia c\u00f3smica de eons. Se o inferno existe, \u00e9 dos gritos de almas condenadas que emana aquela voz. Fiquei absolutamente hipnotizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tentei navegar ali entre o transe e o dever tirando o m\u00e1ximo de fotos poss\u00edvel &#8211; alguma haveria de ficar boa &#8211; e gravando v\u00eddeos sempre que algum dos m\u00fasicos se aproximava da parte do palco onde consegui me encostar. Mas em diversos momentos me peguei me afastando do palco para bater cabe\u00e7a, ou apenas encostada no palco com o celular erguido a esmo. As tr\u00eas primeiras m\u00fasicas vieram e se foram como um suspiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espet\u00e1culo se estruturava em tr\u00eas principais blocos organizados em ordem cronol\u00f3gica do mais recente para o mais antigo, e a fluidez da narrativa se deu de modo impec\u00e1vel gra\u00e7as aos v\u00eddeos que completavam a paisagem musical com refer\u00eancias hist\u00f3ricas e est\u00e9ticas. Na verdade eu gostaria de saber quem concebeu o documental em v\u00eddeo desse show para agradecer pessoalmente por uma abordagem hist\u00f3rica t\u00e3o sens\u00edvel, mas ao mesmo tempo t\u00e3o&nbsp;<em>potente<\/em>&nbsp;(eu odeio essa palavra): celebrativa sem ser laudat\u00f3ria, reconhecendo o papel de cada sujeito na trajet\u00f3ria da banda sem ju\u00edzo de valor \u2013&nbsp;<em>sem maquiagem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso \u00e9 algo que n\u00f3s historiadores aprendemos desde muito cedo, n\u00e3o incorrer no anacronismo de julgar o passado a partir das lentes do presente. Aqui acho que podemos voltar l\u00e1 para o in\u00edcio do texto, quando mencionei indiretamente o boicote institucional aos shows do Mayhem por acusa\u00e7\u00e3o de apologia ao nazismo. N\u00e3o vou entrar no discurso falacioso de&nbsp;<s>balrogs t\u00eam ou n\u00e3o asas<\/s>&nbsp;separar artista e obra, mas n\u00e3o existem evid\u00eancias materiais de que a banda promove discurso criminoso (sempre bom lembrar que nazismo \u00e9&nbsp;<strong>crime<\/strong>) por meio de suas letras, v\u00eddeos ou performances ao vivo. O comportamento dos membros ou colaboradores fora da m\u00eddia art\u00edstica cabe \u00e0 justi\u00e7a julgar, como de fato j\u00e1 o fez, e, at\u00e9 onde cabe o julgamento das nossas institui\u00e7\u00f5es ser um babaca escroto n\u00e3o \u00e9 crime. Talvez devesse ser, mas esse n\u00e3o \u00e9 o ponto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dei essa volta toda para falar, na verdade, da sensibilidade hist\u00f3rica do v\u00eddeo documental em reconhecer os comportamentos problem\u00e1ticos do passado em seu pr\u00f3prio contexto, sem fazer deles uma bandeira no presente ou fazer t\u00e1bula rasa da trajet\u00f3ria da banda. Trata-se de reconhecer que crimes aconteceram, que discursos fundados em preconceitos extremos foram propalados, mas n\u00e3o se repetem &#8211; nem devem se repetir &#8211; no presente. O momento hist\u00f3rico \u00e9 outro, os membros da banda est\u00e3o diferentes, o pr\u00f3prio p\u00fablico tamb\u00e9m se renovou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, as controv\u00e9rsias s\u00e3o parte indel\u00e9vel da hist\u00f3ria que trouxe a banda at\u00e9 aqui. De modo geral, falar de Mayhem sempre levanta um tremendo tribunal hist\u00f3rico e ideol\u00f3gico, e a beleza do v\u00eddeo documental foi manter isso como subtexto de todo o espet\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com uma dura\u00e7\u00e3o total de 2h20, o bloco que trata da trajet\u00f3ria recente da banda foi o mais longo, justamente por cobrir o per\u00edodo que se estende do final da d\u00e9cada de 1990 at\u00e9 os dias atuais. A escolha de come\u00e7ar por esta fase da carreira teve o efeito de construir um contexto s\u00f3lido de transforma\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, ao mesmo tempo em que construiu&nbsp;<em>momentum<\/em>&nbsp;para os blocos mais aguardados pelo p\u00fablico: o absoluto brilhantismo das d\u00e9cadas de 1990 e 1980.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um v\u00eddeo documental sobre o \u00e1lbum De Mysteris Dom Sathanas (1994) com homenagem ao Dead abriram o segundo bloco do show, dando aos membros da banda tempo para fazer uma troca de figurinos. Antes apenas o Attila tinha trocado de figurino uma ou duas vezes &#8211; ele \u00e9 um espet\u00e1culo \u00e0 parte -, mas dessa vez toda a banda voltou vestindo longas capas pretas com capuzes que lhes cobriam o rosto. O bloco teve quatro m\u00fasicas e iniciou com o top 1 hit parade do Mayhem (kkkk), Freezing Moon. Um mosh se formou no meio da pista, mesmo a m\u00fasica n\u00e3o sendo t\u00e3o mosh\u00e1vel assim, acho que pela pura emo\u00e7\u00e3o de v\u00ea-la sendo executada ao vivo. Seguiram-se minha favorita desse disco, Life Eternal, a faixa t\u00edtulo, De Mysteris Dom Sathanas, e o bloco encerrou com uma execu\u00e7\u00e3o bastante emocionante de Funeral Fog, com os vocais do Dead gravados como Back track. Foi muito lindo e t\u00e3o intensamente emocional quanto s\u00f3 o black metal consegue ser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vers\u00e3o gravada de Silvester Anfang e um v\u00eddeo em mem\u00f3ria de Euronymous abriram o \u00faltimo bloco do show, do ep Deathcrush (1987). O v\u00eddeo tamb\u00e9m trouxe fotografias da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia dos membros da forma\u00e7\u00e3o inicial da banda, com um Kjetil Manheim tocando bateria de cabelo tigelinha e o ent\u00e3o vocalista, Billy Messiah, com cara de bebez\u00e3o. Isso lembra minha teoria de que o corpse paint, e, mais recentemente, a moda dos capuzes, surgiu para disfar\u00e7ar a cara de&nbsp;<s>caba\u00e7\u00e3o<\/s>&nbsp;dos pi\u00e1s das bandas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coment\u00e1rio random: a primeira prensagem de Deathcrush saiu com a capa em rosa pink em vez do vermelho sangue que a banda queria. Um dia ainda quero fazer uma camiseta pink por isso, bem barbiezinha kkkkkk<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe t\u00e9cnica deu uma ajeitada nos equipamentos enquanto o v\u00eddeo passava no tel\u00e3o, e quando as luzes se acenderam o baixista Necrobutcher subiu ao palco para anunciar os convidados especial\u00edssimos da turn\u00ea: Manheim e Billy Messiah. Naquele momento o que me chamou a aten\u00e7\u00e3o real oficial foi o qu\u00e3o baixinho \u00e9 o Necrobutcher; o pedestal j\u00e1 estava ajustado para a altura enorme do Billy Messiah e o Necrobutcher fez o an\u00fancio se esticando todo, nas pontas dos p\u00e9s, para alcan\u00e7ar o microfone.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Messiah e Manheim tomaram o palco tive a sensa\u00e7\u00e3o de que ganhara na loteria. N\u00e3o apenas ver o Mayhem \u00e9 uma experi\u00eancia sem igual, como ver os membros da forma\u00e7\u00e3o original \u00e9 algo que jamais imaginei que aconteceria. O bloco abriu com a faixa-t\u00edtulo, Deathcrush, e senti que o p\u00fablico &#8211; especialmente o p\u00fablico mais velho &#8211; saiu do corpo quando isso aconteceu. Acho que todo mundo estava meio extasiado pela experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chainsaw Gutsfuck, uma das faixas favoritas desse ep, foi absolutamente brutal, mas o clima no palco j\u00e1 n\u00e3o era t\u00e3o solene quanto fora em De Mysteris. Seguiram-se Necrolust e Pure Fucking Armageddon e a atmosfera entre os m\u00fasicos se tornava cada vez mais leve e amig\u00e1vel, como se todos ali se sentissem adolescentes outra vez. Attila e Hellhammer voltaram ao palco, e o lineup completo da tour parecia saudar a devo\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com a energia l\u00e1 em cima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois disso nem tenho muito o que falar. Encontrei meus colegas de excurs\u00e3o t\u00e3o embasbacados quanto eu e logo juntamos todo mundo para embarcar na van. A viagem de volta foi silenciosa sen\u00e3o pela playlist infinita (e muito boa, por sinal) de black e death metal de um dos pi\u00e1s, e n\u00e3o tinha ningu\u00e9m fedendo chul\u00e9 nem sovaco no caminho de volta. A van foi consertada no per\u00edodo em que estivemos no show e, assim, chegamos em Curitiba por volta das 6h de segunda-feira para encarar aquela tristeza que d\u00e1 quando termina uma experi\u00eancia que voc\u00ea sabe que foi incr\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mim enquanto autora desse blog, essa experi\u00eancia desvelou ainda outras potencialidades do projeto de pesquisa sobre o rol\u00ea do metal extremo, ao mesmo tempo em que destacou a import\u00e2ncia das conex\u00f5es que fiz ao longo de 2025 com tantas outras pessoas que fazem o corre e fortalecem o underground extremo. Aproveito para agradecer novamente \u00e0 Gerunda Produ\u00e7\u00f5es e Metal Devastation Excurs\u00f5es por terem viabilizado esse puta rolez\u00e3o inesquec\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Valeu tamb\u00e9m todo mundo que me acompanhou durante esse ano, continuaremos por aqui pensando v\u00e1rios pensamentos em 2026. Feliz ano novo \ud83d\ude42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a turn\u00ea de 40 anos do Mayhem foi anunciada para a Am\u00e9rica Latina eu n\u00e3o pensei nada. Para mim era certo que n\u00e3o haveria data no Brasil depois daquela fiasqueira que armaram contra os shows da banda para ganho pol\u00edtico na turn\u00ea de 2023. 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