Já nos aproximamos do final de março e essa é a primeira vez que tive tempo pra pensar nos shows que acompanhei desde o início do ano. Pensei até em deixar passar, começar a escrever do Nargaroth, que acontecerá dia 31/03, para frente, mas algo ficava martelando meu senso de responsabilidade, como uma musica vindo de uma aba travada no segundo plano do navegador da minha mente.
Peguei o celular e rolei o feed do Instagram do blog até janeiro pra tentar me localizar e percebi que não consegui acompanhar os dois primeiros shows do ano, que foram Ethel Hunter / Culpado / Tifo no Lado B e Death to All no Tork’n’Roll. Na vdd eu adoro quando tem esses shows com a “prata da casa” no Lado B porque a vibe é sempre muito boa, a rua fica cheia e as bandas cheias de energia por estarem tocando em casa e entre amigos. Nesse dia combinei de encontrar um amigo muito querido que mora fora do Brasil e estava de visita por aqui, mas o desinfeliz me deixou no vácuo e eu saí perdendo duplamente. Fiquei um pouco chateada por não ter estado lá entre o pessoal de sempre no B, mas também não faltam oportunidades de encontrar todo mundo em outros rolês.
Doeu no coração perder o Death to All, que aconteceu em 21/01, que foi uma quarta-feira. Se já tá difícil conseguir sair no final de semana, quem dirá em plena quarta, né? Rolou um super combo de excesso de trabalho e falta de planejamento, na verdade. E como o assessor desse evento era aquele cara lá que não gosta de mim, nem me arvorei a tentar credenciamento. Engraçado, me ocorreu aqui que faz bastante tempo que não assisto um show “pra curtir” porque estou sempre preocupada com a divulgação, o apoio, a crônica que nunca dá tempo de escrever…
Finalmente consegui dar o ar da graça no rolê em 06/02, dia em que aconteceu o show do Sekeromlat no Spunk bar. Foi também o primeiro evento em que tive a oportunidade de entrar como apoio na divulgação desde o início, por convite do Daniel da Bradö Records. Até hoje conheço o Daniel super pouco, ainda que já acompanhasse os lançamentos da Bradö há um bom tempos. Na verdade posso dizer o mesmo do Rangel, da Spunk. Sempre trocamos mensagens gentis, damos aquela força compartilhando postagens e cartazes, e seguimos cada um com seu corre maluco. Será que estamos trabalhando juntos ou sozinhos? hahaha

O lineup do evento era composto por Visione Obscura, Ethel Hunter e os tchecos do Sekeromlat. Por uma questão de objetividade, vou comentar apenas o Sekeromlat; acredito que Visione e Ethel mereçam cada um uma análise mais completa que poderei fazer a partir da observação de outras performances de cada banda. Vamos ao resumão das minhas impressões:
Aspectos menos legais:
- Tentei achar musicas da banda pra ouvir antes do show ou pra incluir nas postagens de divulgação e não encontrei. Não que isso seja em detrimento da banda, na verdade faz muito sentido com esse espírito contracultural dos caras. Mas pra quem quer conhecer, não é tão acessível.
- Não curti muito a estrutura p/ shows do Spunk bar. A ventilação do espaço deixa bastante a desejar, e no calor que estava fazendo foi quase impossível ver mais que 3 músicas seguidas. Ter que ficar indo e voltando pra arejar prejudicou um bocado a experiência do show, embora o pessoal mais jovem pareça sofrer menos com o desconforto do calor.
Aspectos mais legais:
- Sekeromlat tensiona logo de cara a ideia que normalmente fazemos quando se fala de uma banda de black metal. Esqueça os cabeludos de aspecto melancólico performando masculinidades medievalizadas: a estética visual e sonora da banda mediada por seu alinhamento político. É o encontro perfeito do ódio cru que alimenta o black metal com o ethos antirracista e antifascista do punk.
- O nome Sekeromlat é uma uma profunda nerdice histórica. Fui pesquisar como pronuncia o nome da banda (é algo como sequerômlad) e descobri que é o nome de um machado neolítico encontrado na República Tcheca composto por um percutor pontiagudo em pedra alisada com uma perfuração central para a inserção do eixo. Aparentemente – isto é, de acordo com o pouco que estudei de arqueologia histórica – era utilizado para moagem 🙂 Para mim, o momento mais legal do show foi quando os caras levaram um Sekeromlat pro palco e ergueram ele no meio da galera. Bastante gente tirou foto com o instrumento também, curti demais.
- A entrega da banda é intensa e honesta. Seja no palco, socializando com a galera, ou online a banda é bem aberta e tem um espírito super grassroots. Depois do show pedi para tirar uma foto do colete de um dos integrantes da banda que trazia nas costas os dizeres FUCK OFF NSBM para postar no Instagram do blog. A publicação atraiu um grande número de trolls e butthurt fascista, e achei muito firmeza da parte da banda entrar na brincadeira zoando o pessoal nos comentários.
O maior ganho desdobrado a partir do esforço da produtora Sinfonia de Cães e da Bradö Records em trazer a Curitiba uma banda tão “fora do circuito” foi a oportunidade de pensar formas diferentes de fazer/viver o black metal de forma coletiva. Espero, assim, poder retornar a esse tema em novas oportunidades 🙂

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